Teste: Renault Duster 2021 evolui muito, mas é fraco sem motor “Mercedes”

Puxa daqui, estica dali, o veterano SUV ganhou novo visual e equipamentos, ficando melhor até que o irmão Captur, mas manteve o pouco potente motor 1.6

Para driblar o envelhecimento, eliminar rugas e empinar o nariz, vale tudo. A nova moda nos centros estéticos é a harmonização facial, que usa uma série de procedimentos para equilibrar as proporções do rosto.

Vai desde a aplicação de botox, de preenchedores como ácido hialurônico até o uso de lasers, ondas de rádio e tratamentos de pele. Tudo isso, sem cirurgia.

O Renault Duster 2021 experimentou esses tratamentos. Arrebitaram seus faróis, que agora estão integrados à grade e têm luzes diurnas de leds, e modificaram bastante o para-choque, que ganhou luzes de neblina e tomada de ar maiores. O capô está levemente mais alto e recebeu vincos marcantes.

É que nos carros algumas “rugas” são bem-vindas – e necessárias – para deixar o design mais equilibrado. Mas exageros, como o vinco arqueado nas portas e o grande volume das caixas de roda, foram corrigidos para deixar o visual mais leve.

Isso não quer dizer que o Duster conseguiu escapar da faca. A base do para-brisa foi deslocada para a frente a fim de melhorar a aerodinâmica e tirar a impressão de “testudo” do SUV compacto, o que implicou em colunas A mais inclinadas e em novos arcos para as portas dianteiras.

As alterações seguem para o teto, que teve sua curvatura corrigida, aumentando levemente o caimento da traseira. Agora há um aerofólio integrado à tampa traseira, que teve como efeito colateral a redução da área envidraçada. Mas, em compensação, as vigias laterais ficarão bem maiores.

Sim, as novas lanternas traseiras chamam atenção. Não é por causa dos leds, que o Duster já tinha desde 2015.

É pelo próprio conjunto com aro de led e elementos em forma de cruz, que despertam comparações com o Jeep Renegade ou, para os mais vividos, com o Ford Galaxie 500 (lançado no Brasil em 1967).

Um novo vinco, que interliga as lanternas e acaba por definir o local da placa, divide a tampa traseira, que ganha volumes e algum destaque extra. As luzes de ré desceram para o para- -choque, que passa agora a esconder o gancho de reboque.

Por dentro, parece um carro novo. Aquele painel com estrutura compartilhada com o Sandero e central multimídia inclinada para baixo já estava indefensável. O novo é mais alto e se vale das linhas horizontais para deixar tudo nos lugares certos.

Graças a isso conseguiram colocar a nova central multimídia Easylink com tela de 8” em posição ergonômica. Com interface semelhante à usada na Europa, o substituto do MediaNav permite a seleção entre perfis de usuários (com direito a personalização da tela principal).

Ela também tem integração com as configurações do carro, sem perder a compatibilidade com Android Auto e Apple CarPlay, e é mais rápida. Os pecados são dois: ter que dar múltiplos toques na tela para mudar o volume e ter continuado com apenas uma porta USB – há rivais com três!

O volante é compartilhado com Sandero e Logan, mas o ar-condicionado automático inédito tem os mesmos comandos e visores dos Renault vendidos na Europa. A direção passa a ser elétrica como no Kwid, abandonando o pesado sistema eletro-hidráulico – e, claro, o barulho agudo da bomba elétrica.

Mas o Duster se torna o único Renault vendido no Brasil com regulagem de profundidade na coluna de direção. O ajuste de altura para os cintos dianteiros não veio dessa vez, ficou para a próxima geração.

Os bancos mudaram. Na frente, os encostos estão mais confortáveis e têm melhor sustentação lateral, mas os assentos continuam duros e inclinados para baixo. No que diz respeito ao conforto o Captur ainda leva a melhor.

Atrás, onde o espaço para cabeça e pernas não mudou (ou seja, continua muito bom), agora há encosto de cabeça e cinto de três pontos (fixado no teto) para o ocupante do meio, além de Isofix.

Tudo parece novo por dentro, assim como todas as peças de lataria são novas. A Renault aproveitou e fez reforços estruturais que tornaram o monobloco 12,5% mais rígido. Isso e a necessidade de usar rodas aro 17 pela primeira vez levaram a um novo acerto de suspensão, com cargas de amortecedores e molas revistas.

Agora o conjunto filtra melhor as pequenas imperfeições do asfalto e controla a rolagem da carroceria (que está a 23,7 cm do solo), mas ainda passa aquela sensação de valentia e robustez de antes.

A direção elétrica também cumpre bem o seu papel: não dá rebote ao passar por elevações, é mais leve e precisa em manobras. E transmite mais segurança em movimento.

Tratamentos estéticos da moda costumam ser mais caros. Mas o Duster com visual renovado manteve o mesmo preço inicial de antes: R$ 71.790 para a versão Zen manual, que por sinal é a única com pedal de embreagem e cinco marchas. Antes este posto era da versão Expression 1.6.

Esta versão de acesso tem rádio simples, rodas de aço estampado aro 16, vidros elétricos e computador de bordo de série, mas central multimídia, rodas de liga e faróis de neblina são opcionais.

Já a versão intermediária Intense (equivalente à antiga Dynamique, de R$ 83.890) soma central multimídia, ar digital, câmera de ré, sensores de estacionamento traseiros, piloto automático, rodas de liga leve aro 16 e faróis de neblina ao pacote. Na prática, o novo preço de R$ 83.490 representa uma redução de R$ 400 – que você pode guardar para os primeiros abastecimentos.

O Duster testado é da versão topo de linha Iconic, que concentra quase todos os itens inéditos para o modelo, como alerta de ponto cego, câmeras na frente, atrás e nos retrovisores (que não dão visão 360° como no Nissan Kicks), travas das portas por aproximação, partida por botão, acendimento automático dos faróis e as rodas aro 17 diamantadas. Só esqueceram do sensor de chuva, que Sandero e Logan têm.

Isso, claro, leva o Duster a um patamar de equipamentos inédito. Não é à toa que custa R$ 87.490, preço que está no mesmo patamar das versões 2.0 4×4 – que deixam de existir.

Pelo menos o continuará mais barato que o Captur (que parte dos R$ 93.990), ainda que o Duster esteja mais refinado. Mas enquanto todos os outros Renault têm quatro airbags de série, nenhuma versão do Duster tem mais que os dois airbags.

O detalhe é que o Duster 2021 só tem o conhecido motor 1.6 16V SCe de 120 cv e 16,2 mkgf, cuja única novidade é o sistema start-stop. Até o prosaico tanquinho de partida a frio foi mantido.

E mesmo com o sistema que desativa o motor em paradas, registramos números de consumo desanimadores em nossos testes: 9,9 km/l urbano (contra 10,5 km/l no modelo antigo) e 12,5 km/l rodoviário (contra 12,7 km/l), sempre com gasolina.

No 0 a 100 registrou 14,2 s, apenas 0,1 s mais lento que o Duster que saiu de linha. Uma opção mais potente, com o motor 1.3 turbo turbo flex (unica diferença em relação ao que equipa hoje o novo Mercedes Classe A) que pode superar os 170 cv estreia no início do ano que vem.

Apesar das muitas mudanças que saltam aos olhos e dão novos ares ao Duster, no fundo ele realmente ainda é o mesmo carro.

Veredicto
O Duster 2021 está mais agradável de ver e dirigir. Agora só falta ter um motor à altura do carro no qual ele se transformou.

Teste – Renault Duster Iconic 1.6 CVT
Aceleração
0 a 100 km/h: 14,2 s
0 a 1.000 m: 36,1 s – 142 km/h
Velocidade máxima: n/d

Retomada (em D)
40 a 80 km/h: 5,7 s
60 a 100 km/h: 7,7 s
80 a 120 km/h: 11,2 s

Frenagens
60/80/120 km/h – 0 m: 14,5/25,2/57,2 m

Consumo
Urbano: 9,9 km/l
Rodoviário: 12,5 km/l

Ficha técnica
Preço: R$ 87.490 (Iconic CVT)
Motor: flex, dianteiro, transversal, 4 cilindros em linha, 1.598 cm3; 120/118 cv a 5.500 rpm, 16,2 mkgf a 4.000 rpm
Câmbio: CVT, tração dianteira
Suspensão: McPherson (dianteiro), eixo de torção (traseiro)
Freios: disco ventilado (dianteiro), tambor (traseiro)
Direção: elétrica
Rodas e pneus: liga leve, 215/60 R17
Dimensões: comprimento, 437,6 cm; largura, 183,2 cm; altura, 169,3 cm; entre-eixos, 267,3 cm; vão livre do solo, 23,7 cm; peso, 1.279 kg; tanque, 50 l; porta-malas, 475 l

Fonte: Quatro Rodas

Publicado por Thiago Vieira

Thiago é apaixonado por carros, desde os 2 anos já conhecia os carros que passavam na sua rua. Grande fã de Ayrton Senna em sua infância. Comerciante de Veículos há mais de 13 anos. Solida experiencia na comercialização de Veículos.

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